Os neutrinos - partículas solares que viajam na velocidade da luz -, e os vulcões inspiram o inverno de Gloria Coelho. Nesta estação, a designer também combina numa única roupa veludo, couro, pelo de vaca e transparências, criando peças com status de arte, que emolduram as formas.
Imagens vulcânicas em fotos de paisagens em preto e branco, pontuadas pela pela cor vibrante do magna, cobrem o corpo em vestidos com recortes que revelam a pele no colo e nas costas.
No shape, além de muitas combinações de recortes, ênfase aos ombros arredondados, as bainhas com volume e forros coloridos e a valorização discreta das curvas. Nas cores, preto, pele, laranja, rosa, rosê e vermelho.
Por Henriete Mirrione
Maria Bonita
| Danielle Jensen, da Maria Bonita, levou a austeridade e a masculinidade de suas criações femininas para a passarela do SPFW. Desta vez, a marca se inspirou pelo povo simplório do norte do país, representados por índios, seringueiros, ribeirinhos e castanheiros. Rica em texturas, a coleção elege uma silhueta retangular e minimilista, celebrando a arte manual da região de maneira muito sutil, em estampas com fotografias de paisagens de margens de rios. Nas cores, tons extraídos da natureza, como ocre, verde-musgo e marrom. Lindos os casacos de lã com feltro, com detalhes trabalhados em pontos remetendo a tramas de tapetes, além dos vestidos e saias que carregam "rendas" em contruções de canutilhos coloridos e outras peças mais gráficas, com paêtes longos de efeito metalizado. Por Henriete Mirrione |
Uma Raquel Davidowicz
A designer Raquel Davidowicz, da UMA, vem mais uma vez embalada por um esporte minimalista, com roupas em muito cinza e preto pontuados por vermelho e vinho. As formas, com ares andróginos, são mais alongadas para os vestidos e mais próximas ao corpo na alfaiataria, tudo em materiais como malhas e outros tecidos com efeito de couro empapelado e amassado.
Bonita a ideia de trazer para a passarela mulheres de diferentes idades, desde a de cabelos todos brancos até a recém-saída da puberdade, mostrando que o sportwear urbano é atemporal.
Por Henriete Mirrione
João Pimenta
O inverno de João Pimenta tem uma estética sombria e rica em texturas. Inspirado pelo movimento artístico Steampunk e pelo shape dos "plague doctors" (doutores da praga, numa tradução literal) - médicos que cuidavam de pacientes com peste bubônica no século XVII, e usavam saias longas e máscaras negras -, Pimenta resgata o uso de manufaturas de tecidos em diferentes fios com técnicas antigas de tear manual.
Assim, os costumes, com coletes, calças e paletós, são trabalhados em diferentes proporções. A brincadeira de gêneros também aparece na roupa masculina com os detalhes da mulher do século XIX, trabalhada em basques (saiotes usados por baixo das saias que davam volume ao quadril e ao bumbum), golas, saias e bainhas de casacos arredondados.
Apesar dos looks parecerem quase todos muito escuros, puxando para o preto ou marrom, eles contam com a presença de muitas cores como verde, azul, vermelho e amarelo, todos em matizes mais escuras. Bonito também o uso de couro de vaca prensado com estampas de pele de cobra em casacos mais minimalistas e detalhes de lapelas do paletó.
Por Henriete Mirrione
Lino Villaventura
| Lino Villaventura apresentou um trabalho inspirado na obra de Francis Bacon e dedicada à amiga socialite Carmen Mayrink Veiga, o que resultou numa linda e opulente coleção de vestidos ricos em dramaticidade, no trabalho dos tecidos e muitos bordados em cristais e linhas coloridas. A linha masculina também cresce e ganha ainda mais destaque, com alfaiataria em nervuras de tecidos, mantos, calças mais solta e camisas-capas em malhas finíssimas. Já quando o foco são os vestidos de rainhas, as faixas surgem em recortes lembrando asas de pássaros. Os mantôs têm um toque de motivos orientais e outras vestes mesclam peso, volume e brilho, tornando-se verdadeiros convites a sonhos. Por Henriete Mirrione |
Fonte: GNT
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